Porque acordo várias vezes durante a noite na menopausa?

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Adormece sem dificuldade, mas acorda várias vezes durante a noite? Ou começou a despertar muito mais cedo do que era habitual e tem dificuldade em voltar a dormir?

As alterações do sono são frequentes durante a perimenopausa e a menopausa e podem manifestar-se de diferentes formas: dificuldade em adormecer, despertares frequentes durante a noite, despertar demasiado cedo ou simplesmente a sensação de que o sono deixou de ser reparador.

Nem sempre existe uma única explicação.

As alterações hormonais próprias desta fase, os afrontamentos e suores noturnos, o humor, o stress e algumas perturbações específicas do sono podem contribuir para noites cada vez mais fragmentadas.

Por isso, compreender porque está a acordar durante a noite é importante para encontrar a abordagem mais adequada.

 

O que acontece ao sono durante a menopausa?

O sono não permanece exatamente igual ao longo da vida.

Durante a transição para a menopausa, as alterações hormonais ocorrem numa fase em que também começam a verificar-se mudanças relacionadas com a idade, com o ritmo circadiano e com outros fatores físicos e emocionais capazes de influenciar o sono.

Os estrogénios e a progesterona também têm efeitos no sistema nervoso central e nos mecanismos envolvidos na regulação do sono.

Por isso, algumas mulheres começam a perceber que dormem de forma diferente mesmo antes de deixarem definitivamente de menstruar.

O problema nem sempre é conseguir adormecer. Uma das queixas características desta fase é precisamente a fragmentação do sono, com vários despertares ao longo da noite.

 

1. Afrontamentos e suores noturnos podem interromper o sono

Esta é provavelmente uma das explicações mais conhecidas.

Os afrontamentos e os suores noturnos fazem parte dos chamados sintomas vasomotores da menopausa e estão relacionados com alterações nos mecanismos cerebrais responsáveis pela regulação da temperatura corporal.

Quando acontecem durante a noite, podem provocar um despertar acompanhado por:

  • sensação súbita de calor;
  • transpiração;
  • aumento da frequência cardíaca;
  • sensação de frio depois do episódio;
  • necessidade de retirar roupa ou roupa de cama.

Mesmo episódios relativamente curtos podem fragmentar o sono e dificultar o regresso às fases mais profundas e reparadoras.

Mas há uma ideia importante: nem todos os despertares noturnos durante a menopausa são provocados por afrontamentos.

Uma mulher pode ter alterações significativas do sono mesmo sem apresentar sintomas vasomotores importantes.

 

2. As próprias alterações hormonais podem estar relacionadas com o sono

Durante a perimenopausa, os níveis hormonais podem oscilar de forma significativa.

Estas alterações ocorrem numa fase em que muitas mulheres começam a relatar maior dificuldade em manter um sono contínuo.

A relação entre hormonas e sono é complexa e ainda não está completamente esclarecida. No entanto, existe evidência de que as alterações hormonais da transição menopáusica podem estar associadas à fragmentação do sono, independentemente da presença de afrontamentos noturnos.

Isto ajuda a explicar porque algumas mulheres dizem:

“Não tenho calor durante a noite. Simplesmente acordo.”

E esta distinção é importante. Tratar uma alteração do sono implica primeiro tentar perceber o que está a provocá-la.

 

3. Ansiedade, alterações do humor e stress também interferem com o sono

A menopausa pode coincidir com uma maior vulnerabilidade a alterações do humor e sintomas de ansiedade em algumas mulheres.

Ao mesmo tempo, esta fase da vida pode envolver múltiplas exigências pessoais, familiares e profissionais.

O resultado pode ser um estado de maior alerta precisamente quando o organismo deveria estar a preparar-se para dormir.

É comum conseguir adormecer devido ao cansaço acumulado e, algumas horas depois, acordar e ter dificuldade em voltar a adormecer porque os pensamentos começam imediatamente a surgir.

Quando isto acontece repetidamente, pode desenvolver-se um ciclo em que a própria preocupação com o sono contribui para tornar cada vez mais difícil dormir bem.

 

4. A vontade de urinar durante a noite também pode provocar despertares

A necessidade de se levantar durante a noite para urinar — chamada noctúria — também pode contribuir para a fragmentação do sono.

As alterações geniturinárias associadas à menopausa podem afetar não apenas a vagina e a vulva, mas também a uretra e a bexiga.

Algumas mulheres podem apresentar maior frequência urinária, urgência ou necessidade de urinar durante a noite.

Mas existe uma relação interessante nos dois sentidos: por vezes, não é a vontade de urinar que provoca o despertar. A mulher desperta por outro motivo e, uma vez acordada, percebe que tem vontade de ir à casa de banho.

Por isso, quando os despertares são frequentes, é importante avaliar o quadro como um todo.

 

5. Nem tudo deve ser atribuído à menopausa

Este é um dos pontos mais importantes.

Uma mulher estar na menopausa não significa que qualquer dificuldade de sono seja necessariamente causada pelas alterações hormonais.

Existem outras condições que podem provocar despertares frequentes, entre as quais:

  • insónia;
  • apneia obstrutiva do sono;
  • síndrome das pernas inquietas;
  • ansiedade ou depressão;
  • dor crónica;
  • determinados medicamentos;
  • consumo de álcool ou estimulantes.

A apneia obstrutiva do sono, em particular, merece atenção. O risco aumenta depois da menopausa e nem sempre se manifesta da forma mais conhecida.

Nem todas as mulheres com apneia apresentam apenas ressonar intenso. Sono fragmentado, cansaço durante o dia, cefaleias matinais, dificuldade de concentração e sensação de sono pouco reparador também podem justificar investigação.

Por isso, atribuir automaticamente todos os despertares à menopausa pode atrasar o diagnóstico de uma verdadeira perturbação do sono.

 

Acordar durante a noite significa que tenho insónia?

Não necessariamente.

É normal existir algum grau de despertar entre ciclos de sono. O problema surge quando os despertares são frequentes ou prolongados, existe dificuldade em voltar a adormecer e a qualidade do sono começa a afetar o funcionamento durante o dia.

A insónia é uma condição clínica específica e não deve ser confundida simplesmente com algumas noites mal dormidas.

Sinais como:

  • dificuldade persistente em adormecer;
  • despertares frequentes ou prolongados;
  • acordar demasiado cedo;
  • cansaço durante o dia;
  • irritabilidade;
  • dificuldade de concentração;
  • preocupação constante com o sono

merecem ser avaliados quando persistem e interferem com a qualidade de vida.

 

Dormir mal na menopausa pode afetar o dia seguinte?

Sim.

Uma noite ocasionalmente mal dormida faz parte da vida. O problema é quando a fragmentação do sono se torna persistente.

Um sono insuficiente ou pouco reparador pode contribuir para:

  • cansaço e sonolência;
  • dificuldade de concentração;
  • alterações da memória;
  • irritabilidade;
  • alterações do humor;
  • menor energia e rendimento durante o dia.

Por isso, o sono não deve ser encarado como uma questão secundária na menopausa.

Dormir bem é uma componente importante da saúde e da qualidade de vida.

 

O que pode ajudar a dormir melhor?

A abordagem depende da causa.

Quando os despertares estão associados a afrontamentos e suores noturnos, tratar adequadamente os sintomas vasomotores pode melhorar também o sono.

Algumas medidas relacionadas com os hábitos de sono também podem ajudar:

  • manter horários relativamente regulares para dormir e acordar;
  • reduzir cafeína, sobretudo nas horas mais tardias do dia;
  • evitar álcool como estratégia para adormecer;
  • limitar a exposição a ecrãs antes de dormir;
  • manter o quarto confortável e fresco;
  • praticar atividade física regularmente.

Estas medidas podem ser úteis, mas uma boa higiene do sono não resolve necessariamente uma perturbação do sono ou sintomas importantes da menopausa.

Se existe uma causa específica, essa causa deve ser identificada e tratada.

 

E a terapêutica hormonal da menopausa?

A terapêutica hormonal da menopausa pode melhorar o sono de algumas mulheres, particularmente quando os despertares estão relacionados com sintomas vasomotores, como afrontamentos e suores noturnos.

No entanto, a terapêutica hormonal não é um tratamento universal para qualquer dificuldade de sono.

A indicação deve ter em consideração os sintomas da mulher, a fase da menopausa, os antecedentes clínicos, potenciais contraindicações e o balanço individual entre benefícios e riscos.

Mais uma vez, o objetivo não é simplesmente “dar alguma coisa para dormir”, mas perceber porque aquela mulher deixou de dormir bem.

 

Quando deve procurar ajuda?

Vale a pena procurar avaliação quando as alterações do sono se tornam frequentes, persistem ao longo do tempo ou começam a interferir com o bem-estar e com o funcionamento durante o dia. Muitas vezes é necessária uma abordagem multidisciplinar para avaliar e tratar adequadamente a situação.

Conclusão

Acordar várias vezes durante a noite é uma queixa frequente durante a menopausa, mas não existe uma única explicação para todos os casos.

Afrontamentos e suores noturnos podem fragmentar o sono, mas as alterações hormonais, a ansiedade, o humor, a noctúria e perturbações específicas do sono também podem estar envolvidas.

Por isso, quando dormir mal começa a tornar-se a regra e não a exceção, o mais importante é identificar a causa.

Compreender porque o sono mudou é o primeiro passo para encontrar uma estratégia adequada e voltar a ter noites verdadeiramente reparadoras.

Dormir mal não tem de ser encarado como uma consequência inevitável da menopausa. Se estas alterações estão a afetar a sua qualidade de vida, marque uma consulta para uma avaliação especializada. 

 

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