O corpo muda com o passar dos anos, mas nem sempre é fácil perceber o porquê
Com o passar dos anos, o corpo muda. No entanto, muitas mulheres têm dificuldade em perceber o que está relacionado com alterações hormonais e o que faz parte do processo natural de envelhecimento.
Nos últimos anos, fala-se cada vez mais da menopausa e da perimenopausa. Ainda assim, continua a existir alguma confusão.
A verdade é que o envelhecimento e as alterações hormonais acontecem muitas vezes em simultâneo, o que pode gerar dúvidas, insegurança e interpretações erradas dos sintomas.
Nem tudo é perimenopausa. Mas também nem tudo é apenas “idade”.
O envelhecimento não acontece de forma linear
Um estudo recente publicado na revista Nature Aging observou que o envelhecimento do organismo não ocorre de forma constante ao longo da vida.
Depois de analisar milhões de marcadores biológicos, os investigadores identificaram dois momentos de aceleração do envelhecimento:
- por volta dos 44 anos
- por volta dos 60 anos
O mais interessante é que este padrão foi observado tanto em mulheres como em homens.
Isto mostra que o organismo passa por fases biológicas de mudança, independentemente das hormonas sexuais.
O que acontece no corpo por volta dos 44 anos
De acordo com os dados deste estudo, por volta dos 44 anos começam a surgir alterações em várias áreas do organismo, incluindo:
- função cardiovascular
- metabolismo
- massa muscular
- pele
- forma como o corpo processa álcool e cafeína
Estas alterações fazem parte do próprio processo de envelhecimento biológico.
E aos 60 anos?
Um segundo momento de aceleração foi identificado por volta dos 60 anos, com alterações mais evidentes em:
- sistema imunitário
- metabolismo da glicose
- função renal
Isto reforça a ideia de que o envelhecimento ocorre em etapas biológicas, e não de forma progressiva e linear.
Onde entra a perimenopausa nesta história?
Nas mulheres, muitas destas alterações coincidem com uma fase específica da vida: a perimenopausa.
A perimenopausa é o período de transição antes da menopausa, caracterizado por flutuações hormonais significativas.
Durante esta fase, os níveis de estrogénios e progesterona passam a variar de forma irregular, o que pode provocar vários sintomas, como:
- afrontamentos
- perturbações do sono
- alterações de humor
- dificuldade de concentração
- irregularidades menstruais
É por isso que muitas vezes se torna difícil perceber se determinado sintoma está relacionado com a perimenopausa ou com o próprio envelhecimento.
Porque é importante distinguir estas duas coisas
Confundir envelhecimento com perimenopausa, ou o contrário, pode levar a decisões menos adequadas.
Por exemplo:
- iniciar terapêutica hormonal sem indicação clínica
- ignorar sintomas que merecem avaliação médica
Cada situação deve ser analisada de forma individualizada, tendo em conta:
- idade
- historial clínico
- sintomas apresentados
- fatores de risco
A medicina atual permite avaliar e contextualizar estas alterações com muito mais precisão do que no passado.
Nem tudo é perimenopausa. E nem tudo é apenas idade.
Perceber o que está a acontecer no corpo é fundamental para tomar decisões informadas sobre a saúde.
A ciência ajuda-nos precisamente nisso: avaliar, medir e contextualizar as mudanças do organismo ao longo da vida.
Quando necessário, existem estratégias terapêuticas que podem ajudar a melhorar a qualidade de vida durante esta fase de transição.
A decisão de iniciar qualquer tratamento deve ser sempre individualizada e baseada em avaliação médica. Se tem dúvidas sobre sintomas que surgiram nos últimos anos ou suspeita que possa estar na perimenopausa, procure aconselhamento médico para compreender melhor o que está a acontecer no seu corpo e quais as opções mais adequadas para si.
Leia também: Perimenopausa: como reconhecer esta fase de transição


