Contraceção na perimenopausa: benefícios e cuidados a ter

O que é a perimenopausa?

A perimenopausa é o período de transição que antecede a menopausa e pode começar vários anos antes da última menstruação.

Durante esta fase, o organismo passa por flutuações hormonais significativas, com variações nos níveis de estrogénios e progesterona, o que pode provocar sintomas como:

  • Ciclos menstruais irregulares;
  • Afrontamentos e suores noturnos;
  • Alterações de humor;
  • Insónia e fadiga;
  • Dores de cabeça e enxaquecas hormonais.

Apesar da fertilidade estar a diminuir, a ovulação ainda pode ocorrer de forma esporádica, o que significa que há risco de gravidez indesejada. Por isso, a contraceção continua a ser um tema essencial nesta etapa da vida.

Porque é importante manter a contraceção na perimenopausa

Muitas mulheres acreditam que, ao entrar na perimenopausa, já não necessitam de métodos contracetivos. No entanto, a ovulação irregular não é sinónimo de infertilidade.

De facto, segundo o Consenso Nacional Menopausa 2021 da Sociedade Portuguesa de Ginecologia, é recomendado manter a contraceção até 12 meses após o último período menstrual, caso a mulher tenha mais de 50 anos, e até 24 meses se tiver menos de 50.

Além da prevenção da gravidez indesejada, a contraceção pode desempenhar um papel terapêutico relevante, ajudando a controlar sintomas e a proteger a saúde ginecológica.

Benefícios da contraceção hormonal durante a perimenopausa

A contraceção hormonal, quando devidamente indicada, pode trazer benefícios adicionais além da proteção contracetiva, entre os quais:

Regulação do ciclo menstrual, reduzindo o fluxo abundante e as irregularidades típicas desta fase;

Melhoria dos sintomas de endometriose, ao suprimir a atividade ovulatória;

Promoção da saúde óssea, especialmente em mulheres com risco aumentado de osteopenia;

Redução do risco de cancro do endométrio, ovário e cólon-retal, conforme evidenciado em estudos analisados por Subtil, Ramos & Carvalho (2019);

Alívio de sintomas hormonais, como enxaquecas cíclicas e tensão mamária.

Estes benefícios reforçam que a contraceção pode ser um instrumento terapêutico complementar na perimenopausa, ajudando a equilibrar o bem-estar físico e emocional da mulher.

Métodos contracetivos disponíveis

A escolha do método ideal deve ser individualizada, tendo em conta a história clínica, idade, hábitos de vida e fatores de risco cardiovasculares. Entre as opções mais utilizadas nesta fase, destacam-se:

Pílula combinada (estrogénio + progestativo)

Pode ajudar a regular o ciclo e reduzir sintomas vasomotores. É geralmente indicada em mulheres saudáveis, sem contraindicações cardiovasculares.

Dispositivo intrauterino (DIU) hormonal

Liberta pequenas quantidades de progestativo localmente, proporcionando proteção prolongada, controlo do fluxo e alívio de sintomas relacionados com o endométrio.

Progestativo isolado

Pode ser uma alternativa segura para mulheres que não podem utilizar estrogénios, mantendo eficácia contracetiva e proteção endometrial.

Métodos não hormonais

Incluem o DIU de cobre, preservativo e diafragma. São opções adequadas para mulheres que preferem evitar hormonas ou têm contraindicações médicas.

A escolha deve ser sempre acompanhada por avaliação médica individualizada, com base em exames, sintomas e preferências pessoais.

Conclusão: 

A perimenopausa é um período de mudança, mas também de oportunidade para cuidar da saúde de forma integrada.

A contraceção, quando corretamente escolhida e acompanhada, pode ser uma aliada importante, ajudando não apenas a prevenir a gravidez indesejada, mas também a controlar sintomas, proteger a saúde óssea e reduzir riscos ginecológicos.

Se está nesta fase e tem dúvidas sobre o melhor método para si, marque uma consulta. Uma avaliação médica cuidada permitirá encontrar a opção mais segura e adequada ao seu caso.

Cuidar de si começa por estar bem informada! 

Leia também: Hormonas bioidênticas na menopausa: o que diz a ciência sobre segurança e benefícios?

 

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