6 mitos sobre a terapêutica hormonal na menopausa que ainda confundem muitas mulheres

Porque ainda existem tantos mitos sobre a terapêutica hormonal

Apesar de ser uma das terapêuticas mais estudadas na medicina da mulher, a terapêutica hormonal da menopausa (THM) continua rodeada de dúvidas e receios.

Grande parte destes mitos surgiu após a divulgação inicial dos resultados do estudo Women’s Health Initiative (WHI) no início dos anos 2000. Na altura, algumas conclusões foram interpretadas de forma precipitada e simplificada, o que levou muitas mulheres e até alguns profissionais de saúde a associarem a terapêutica hormonal a riscos elevados.

Desde então, a investigação científica evoluiu significativamente e hoje dispomos de dados muito mais claros sobre os benefícios e riscos da terapêutica hormonal, permitindo decisões mais informadas e individualizadas.

Conheça alguns dos mitos mais comuns.

Mito 1: A terapêutica hormonal é perigosa para todas as mulheres

Este é provavelmente o mito mais frequente.

Na realidade, a segurança da terapêutica hormonal depende de vários fatores, incluindo:

  • idade da mulher
  • tempo desde o início da menopausa
  • tipo de hormona utilizada
  • dose e via de administração
  • perfil de risco individual

As evidências atuais mostram que, quando iniciada em mulheres saudáveis e nos primeiros anos após a menopausa, a terapêutica hormonal apresenta uma relação benefício-risco favorável.

Este conceito é conhecido como “janela de oportunidade”.

Mito 2: A terapêutica hormonal aumenta sempre o risco de cancro da mama

Uma das maiores preocupações das mulheres quando se fala em terapêutica hormonal da menopausa é o possível risco de cancro da mama.

No entanto, a evidência científica atual mostra que a relação entre terapêutica hormonal e cancro da mama é mais complexa do que muitas vezes é apresentado.

O risco pode variar de acordo com vários fatores, incluindo:

  • o tipo de hormonas utilizadas
  • a duração do tratamento
  • a idade da mulher
  • o tempo desde o início da menopausa
  • o perfil individual de risco

Por exemplo, os dados do estudo Women’s Health Initiative (WHI) mostraram que a terapêutica combinada com estrogénio e progestativo pode estar associada a um pequeno aumento do risco de cancro da mama quando utilizada durante vários anos.

No entanto, o mesmo estudo demonstrou que o estrogénio isolado não aumentou o risco de cancro da mama nas mulheres que tinham sido submetidas a histerectomia.

Além disso, é importante compreender que este risco é geralmente pequeno em termos absolutos e deve ser interpretado no contexto de outros fatores que também influenciam o risco de cancro da mama, como:

  • idade
  • obesidade
  • consumo de álcool
  • sedentarismo

Por essa razão, as principais sociedades científicas internacionais recomendam que a decisão de iniciar terapêutica hormonal seja sempre individualizada, avaliando cuidadosamente os benefícios e os potenciais riscos para cada mulher.

Mito 3: A terapêutica hormonal serve apenas para tratar afrontamentos

Embora os afrontamentos e suores noturnos sejam uma das indicações mais conhecidas da terapêutica hormonal, os seus benefícios podem ir além disso.

A terapêutica hormonal pode contribuir para:

  • melhoria da qualidade do sono
  • redução da secura vaginal
  • melhoria da qualidade de vida
  • preservação da densidade mineral óssea

Em algumas mulheres, pode também ajudar a reduzir o risco de fraturas relacionadas com a osteoporose.

Mito 4: A terapêutica hormonal provoca sempre aumento de peso

O aumento de peso é uma preocupação frequente entre mulheres na transição para a menopausa, e muitas vezes é atribuído à terapêutica hormonal.

No entanto, a evidência científica mostra que o aumento de peso nesta fase da vida está sobretudo relacionado com alterações metabólicas associadas ao envelhecimento e à própria menopausa, e não necessariamente com a terapêutica hormonal.

Durante a menopausa ocorre uma redução dos níveis de estrogénio, que pode favorecer alterações na composição corporal, incluindo maior acumulação de gordura abdominal.

Alguns estudos sugerem que a terapêutica hormonal pode até ajudar a reduzir a redistribuição de gordura central associada à menopausa, contribuindo para uma composição corporal mais favorável.

Manter hábitos de vida saudáveis, como atividade física regular, alimentação equilibrada e sono adequado, continua a ser um dos fatores mais importantes para o controlo do peso nesta fase da vida.

Mito 5: Não se pode iniciar terapêutica hormonal depois de certa idade

A idade e o tempo desde o início da menopausa são fatores importantes na avaliação da terapêutica hormonal.

As evidências atuais sugerem que a terapêutica hormonal apresenta uma relação benefício-risco mais favorável quando iniciada nos primeiros anos após a menopausa, conceito frequentemente referido como “janela de oportunidade”.

Isso não significa, no entanto, que exista uma idade fixa a partir da qual a terapêutica hormonal seja automaticamente contraindicada.

Cada situação deve ser avaliada de forma individualizada, considerando:

  • sintomas da mulher
  • estado de saúde geral
  • fatores de risco cardiovascular
  • historial médico

Em algumas situações, mesmo mulheres que iniciam tratamento mais tarde podem beneficiar de abordagens terapêuticas adequadas.

Mito 6: A terapêutica hormonal não deve ser utilizada durante muito tempo

A duração da terapêutica hormonal deve ser sempre avaliada caso a caso.

Algumas mulheres utilizam a terapêutica durante alguns anos para controlo dos sintomas da menopausa, enquanto outras podem necessitar de acompanhamento durante períodos mais prolongados.

As recomendações atuais sugerem que o tratamento deve ser reavaliado regularmente, tendo em conta:

  • a evolução dos sintomas
  • os benefícios obtidos
  • o perfil individual de risco

O objetivo é sempre encontrar a abordagem terapêutica mais adequada para cada mulher, garantindo segurança e qualidade de vida.

Conclusão

A terapêutica hormonal da menopausa é uma das áreas mais estudadas da medicina da mulher.

Apesar disso, continuam a existir muitos mitos que podem gerar receio ou confusão.

A evidência científica atual mostra que, quando bem indicada e acompanhada por profissionais de saúde experientes, a terapêutica hormonal pode ser uma ferramenta segura e eficaz para melhorar a qualidade de vida durante a menopausa.

 

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Terapia Hormonal da Menopausa e risco de cancro da mama: o que dizem realmente os estudos científicos

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