Um problema comum, mas que tem solução
A incontinência urinária é uma condição caracterizada pela perda involuntária de urina e pode manifestar-se de diferentes formas. Embora muitas mulheres sintam vergonha em falar sobre o assunto, trata-se de uma queixa frequente nas fases da perimenopausa e da menopausa, com impacto direto na qualidade de vida, autoestima e bem-estar íntimo.
É importante sublinhar que, apesar de comum, não deve ser considerada uma consequência inevitável do envelhecimento. Existem atualmente tratamentos eficazes, seguros e minimamente invasivos que podem ajudar a recuperar o conforto e a confiança.
Tipos de incontinência urinária
Os dois tipos mais frequentes são:
Incontinência urinária de esforço
Ocorre quando há perdas de urina em situações que aumentam a pressão abdominal, como tossir, rir, espirrar, levantar pesos ou praticar exercício físico.
Incontinência urinária de urgência
Caracteriza-se por uma necessidade súbita e difícil de controlar de urinar, muitas vezes sem tempo de chegar à casa de banho.
Algumas mulheres podem apresentar formas mistas, com sintomas de ambos os tipos.
Porque acontece na menopausa
Durante a menopausa, a redução dos níveis de estrogénios provoca várias alterações anatómicas e funcionais na região pélvica:
- Diminuição da tonicidade e força dos músculos do pavimento pélvico;
- Fragilidade dos tecidos que suportam a bexiga e a uretra;
- Redução da vascularização e da espessura da mucosa vaginal;
- Alterações na estrutura de suporte dos órgãos pélvicos, associadas ao envelhecimento natural.
Estas modificações podem comprometer a capacidade de retenção urinária, originando perdas involuntárias e desconforto.
Ginecologia regenerativa: uma abordagem moderna e eficaz
A Ginecologia Regenerativa tem vindo a destacar-se como uma área inovadora da medicina, focada na recuperação funcional e estrutural dos tecidos íntimos através de terapias minimamente invasivas e baseadas em processos naturais de regeneração celular.
Entre as técnicas mais promissoras encontram-se:
Laser vaginal
Estimula a produção de colagénio e promove a regeneração dos tecidos vaginais e periuretrais.
De acordo com um estudo publicado no Lasers in Medical Science (2023), o tratamento com laser fracionado de CO₂ mostrou melhorias significativas na incontinência urinária de esforço e na qualidade de vida das mulheres tratadas, com baixo risco de efeitos adversos e resultados sustentáveis ao longo do tempo.
Radiofrequência
Através do aquecimento controlado dos tecidos, aumenta a elasticidade e a resistência muscular do pavimento pélvico.
Um estudo de 2023 publicado no Lasers in Surgery and Medicine demonstrou que a radiofrequência bipolar pode melhorar o tónus vaginal e reduzir os sintomas de incontinência de esforço, com elevado grau de satisfação das pacientes e segurança comprovada.
PRP (Plasma Rico em Plaquetas)
Utiliza os fatores de crescimento presentes no próprio sangue da paciente para estimular a regeneração dos tecidos e a recuperação funcional da região íntima.
Estudos clínicos apontam para uma melhoria progressiva na força muscular e no controlo urinário, com resultados sustentáveis ao longo do tempo.
Estas terapias podem ser realizadas de forma isolada ou combinada, dependendo do tipo e da gravidade da incontinência, sempre após avaliação médica especializada.
Quando procurar ajuda
A incontinência urinária é um tema que deve ser abordado com naturalidade durante a consulta ginecológica.
O diagnóstico é simples e pode envolver avaliação clínica, ecografia pélvica ou exames urodinâmicos, quando necessário.
Identificar corretamente o tipo de incontinência e as suas causas é essencial para escolher o tratamento mais adequado, seja conservador, farmacológico ou regenerativo.
Conclusão:
A incontinência urinária pode ser desconfortável, mas não precisa de ser vivida em silêncio.
Actualmente, a aplicação clínica da ginecologia regenerativa no tratamento das incontinências urinárias permanece em fase de pesquisa e desenvolvimento, com resultados promissores. São consideradas alternativas minimamente invasivas para aquelas mulheres que não respondem aos tratamentos convencionais ou que desejam evitar procedimentos cirúrgicos mais invasivos.
Se tem incontinência urinária, procure uma avaliação médica especializada.
Um diagnóstico correto e um plano de tratamento personalizado podem fazer toda a diferença.
Cuidar de si começa por estar bem informada!
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