Líquen escleroso: o que é, sintomas e como tratar de forma eficaz

O que é o líquen escleroso?

O líquen escleroso vulvar é uma doença inflamatória crónica que afeta a pele da região anogenital, ocorrendo mais frequentemente na pós-menopáusicas, mas que também pode afectar homens e mulheres em faixas etária mais precoces.

Os mecanismos fisiopatológicos não estão completamente esclarecidos, estando implicados mecanismos autoimunes, predisposição genética e trauma. 

O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado em achados característicos: placas atróficas de cor branco-porcelana, muitas vezes associadas a alterações arquitetónicas (perda dos pequenos lábios, fimose, estenose introital), prurido, dor e, por vezes, erosões ou fissuras. Os principais sintomas identificados pela iniciativa incluem comichão, dor, ardor, fissuras/cortes na pele e dor durante a penetração vaginal.

O diagnóstico precoce e o início imediato da terapêutica são fundamentais para prevenir alterações anatómicas irreversíveis e o desenvolvimento de malignidade.

Quais são os sintomas do líquen escleroso?

Os sintomas mais comuns incluem:

    • Prurido (comichão) persistente

    • Ardor ou dor vulvar

    • Pele esbranquiçada, frágil ou com fissuras

    • Alterações anatómicas da vulva (fases  avançadas)

    • Dor durante as relações sexuais (dispareunia)

É importante sublinhar que, em fases iniciais da doença, os sintomas podem ser confundidos com infeções, irritações locais ou mesmo atrofia vulvo-vaginal, o que pode atrasar o diagnóstico e o início do tratamento. Outro motivo pelo qual o diagnóstico pode ser tardio prende-se com o facto de nem todas as mulheres referirem prurido vulvar. 

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é clínico e baseia-se em:

    • Avaliação dos sintomas e observação das alterações cutâneas

    • Exame físico detalhado da região genital

    • Biópsia:  reservada para apresentações atípicas, ausência de resposta à ou suspeita de malignidade.

Tratamentos disponíveis

O tratamento tem como objetivos controlar a inflamação, aliviar os sintomas e prevenir complicações.

1. Corticoides tópicos de alta potência

Continuam a ser o tratamento de primeira linha. São seguros, eficazes e amplamente estudados, capazes de reduzir a inflamação, controlar os sintomas e diminuir o risco de progressão da doença.

2. Inibidores tópicos da calcineurina (tacrolimus, pimecrolimus) 

São considerados terapias de segunda linha em casos de ausência de resposta aos  corticosteroides ou quando estes estão contraindicados. 

Qualquer que seja o tratamento seleccionado, é recomendada terapêutica de manutenção a longo prazo e vigilância indefinida, devido ao risco de recidiva e ao aumento do risco de cancro da vulva.

A intervenção cirúrgica está reservada para complicações como cicatrização grave ou comprometimento funcional; nos homens, a circuncisão pode ser indicada em casos de fimose persistente. Terapias emergentes (por exemplo, plasma rico em plaquetas, células estaminais derivadas do tecido adiposo) estão em investigação, mas ainda não constituem padrão de tratamento.

 

3. Medidas complementares

    • Reduzir a frequência de lavagens e evitar sabonetes agressivos

    • Usar roupa interior de algodão e roupas largas

    • Evitar o uso de roupa interior à noite

    • Aplicar emolientes e hidratantes vulvares regularmente para proteção da pele

4. Terapias regenerativas

Em casos selecionados, e como adjuvantes do tratamento médico podem ser consideradas abordagens complementares, nomeadamente terapias regenerativas que apesar de ainda não estarem validadas pelos estudos científicos têm mostrado resultados encorajadores e um potencial para melhoria da qualidade de vida da mulher que vive com este tipo de patologias.  Entre elas:

    • Laser e radiofrequência vulvar

    • Plasma Rico em Plaquetas (PRP)

    • Fatores de crescimento derivados da gordura autóloga

Estas terapias têm mostrado resultados encorajadores, mas ainda estão em fase de investigação.

          • Segundo Nguyen V. et al. (2021), o PRP surge como uma alternativa potencialmente promissora, embora ainda careça de mais evidência robusta.

          • A revisão publicada por Tavares S. et al. (2023) destaca que as terapias regenerativas podem ser úteis em situações específicas, mas devem ser aplicadas com objetivos bem definidos e acompanhamento rigoroso.

          • Delinasios GJ. et al. (2023) sublinha que tanto o laser como o PRP demonstram resultados promissores na dermatologia vulvar, mas reforça a necessidade de estudos de longo prazo para validar a sua segurança e eficácia.

Cada mulher é única

O tratamento deve ser personalizado, considerando:

          • A gravidade dos sintomas

          • A resposta a tratamentos anteriores

          • O impacto emocional e psicológico da doença

Por isso, é fundamental que cada caso seja avaliado por um especialista, que adapte o tratamento às necessidades individuais da mulher.

Conclusão:

O líquen escleroso vulvar é uma condição que pode ter um grande impacto na qualidade de vida da mulher. Mas é importante reforçar: há soluções seguras que ajudam a controlar a sintomatologia e devolver qualidade de vida.

Com diagnóstico precoce e acompanhamento adequado, é possível controlar a doença, aliviar os sintomas e proteger a saúde sexual e emocional.

Se apresenta sintomas ou tem dúvidas, agende consulta e fale com a sua (seu) Médica (o). 

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