Estenose vaginal após radioterapia: o que é, porque acontece e como tratar

Estenose vaginal: uma consequência possível da radioterapia pélvica

A radioterapia pélvica é um tratamento fundamental em vários tipos de cancro ginecológico e colorrectal. No entanto, como qualquer tratamento oncológico, pode estar associada a efeitos secundários a médio e longo prazo.

Um desses efeitos, ainda pouco falado, é a estenose vaginal, uma condição que pode ter impacto significativo na saúde íntima, na sexualidade e na qualidade de vida da mulher.

Falar sobre este tema é essencial para que os sintomas sejam reconhecidos atempadamente e abordados de forma adequada.

O que é a estenose vaginal?

A estenose vaginal corresponde a um estreitamento e encurtamento progressivo da vagina, associado à perda de elasticidade dos tecidos.Esta alteração resulta sobretudo de processos de fibrose e diminuição da vascularização vaginal, levando a uma vagina mais rígida, menos distensível e, em alguns casos, dolorosa ao toque ou durante as relações sexuais.

Porque acontece após a radioterapia?

A radioterapia atua destruindo células tumorais, mas também pode afetar tecidos saudáveis da região pélvica.

Ao nível vaginal, pode provocar:

  • inflamação crónica da mucosa vaginal;
  • redução da produção de estrogénios locais;
  • diminuição da lubrificação natural;
  • formação de fibrose e perda de elasticidade;
  • alterações na flora vaginal.

Com o tempo, estas alterações podem conduzir ao desenvolvimento de estenose vaginal, sobretudo quando não existe uma estratégia de prevenção e acompanhamento após o tratamento.

Quais são os sintomas mais comuns?

Os sintomas variam de mulher para mulher, mas os mais frequentemente descritos incluem:

  • sensação de vagina mais estreita ou curta;
  • dor nas relações sexuais (dispareunia pós-radioterapia);
  • dificuldade ou impossibilidade de penetração;
  • secura vaginal persistente;
  • ardor ou desconforto íntimo;
  • dificuldade na realização de exames ginecológicos.

É importante reforçar que estes sintomas não são inevitáveis nem devem ser ignorados.

Como prevenir e tratar a estenose vaginal?

A abordagem deve ser sempre individualizada, mas pode incluir:

– Cuidados locais regulares
  • hidratação vaginal adequada;
  • utilização de produtos específicos para saúde íntima;
Terapêutica hormonal local

Em mulheres elegíveis ( sem contra-indicações), melhorar a qualidade da mucosa vaginal, a elasticidade dos tecidos e a própria lubrificação.

– Dilatadores vaginais e fisioterapia do pavimento pélvico

Devem ser precocemente utilizados de modo a manter a permeabilidade e o comprimento vaginal; a fisioterapia pelvica  ulcral para a reabilitação do pavimento pélvico e da saúde sexual em vários contextos e na mulher que vive com e para além do cancro não é excepção

– Abordagens de ginecologia regenerativa

Em situações selecionadas, técnicas como laser vaginal, radiofrequência ou PRP podem ser consideradas como complemento terapêutico, sempre com avaliação clínica rigorosa.

A importância do acompanhamento especializado

O acompanhamento ginecológico após a radioterapia é essencial.

Muitas mulheres só procuram ajuda quando os sintomas já estão avançados, o que pode tornar o tratamento mais desafiante.

Uma avaliação precoce permite:

  • identificar alterações iniciais;
  • definir estratégias preventivas;
  • preservar a saúde íntima e a qualidade de vida.

Conclusão:

A estenose vaginal após radioterapia é uma condição real, mas não deve ser vivida em silêncio nem encarada como inevitável.

Existem hoje opções de prevenção e tratamento que podem melhorar significativamente o conforto, a função vaginal e o bem-estar global.Estes sintomas não são “normais” nem precisam de ser permanentes.
Se se identifica com algum deles, agende a sua consulta. Estou aqui para ajudar.

Fonte: Kumari, C. A., et al. (2024). Vaginal stenosis after pelvic radiotherapy: prevalence, prevention and management. International Journal of Academic Medicine and Pharmacy, 6(4), 631–635.

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