Dor, secura e desconforto na menopausa: porque acontecem e o que pode ajudar

A menopausa é uma fase natural da vida, mas nem sempre é vivida com conforto, qualidade ou mesmo saúde. Para muitas mulheres, sintomas como secura vaginal, dor durante as relações sexuais, ardor vulvar, infecções urinárias de repetição ou desconforto no dia a dia tornam-se uma realidade que afeta o bem-estar físico, emocional e até relacional.

Apesar de frequentes, estes sintomas continuam a ser pouco falados, e muitas mulheres acreditam, erradamente, que fazem “parte da idade” ou que têm de aprender a conviver com eles. A verdade é que estes sintomas não são inevitáveis e têm tratamento.

Neste artigo, exploramos porque surgem estas alterações e o que a ciência diz sobre as soluções mais eficazes.

Porque acontecem estas alterações na menopausa?

Durante a menopausa, o declínio dos estrogénios pode provocar alterações na vulva, vagina e trato urinário. Estas mudanças variam muito de mulher para mulher, sendo que algumas quase não sentem diferenças, enquanto outras (a minoria) experienciam sintomas mais marcados, frequentes e que se vão agravando no tempo..

Em alguns casos, estas alterações podem resultar num conjunto de sinais e sintomas conhecido como Síndrome Geniturinária da Menopausa (SGM)

Entre os sintomas mais comuns estão:

– secura vaginal
– dor durante as relações sexuais (dispareunia)
– ardor ou sensação de “pele fina”
– comichão ou irritação
– diminuição da lubrificação
– dor ao toque
– infeções urinárias de repetição
– desconforto urinário ou urgência

O tecido vaginal torna-se mais fino, menos elástico e menos lubrificado. A vascularização diminui e o pH vaginal altera-se, tornando a zona mais vulnerável a irritações e infecções.

A EMAS – European Menopause and Andropause Society reforça que estas alterações devem ser reconhecidas e tratadas precocemente para melhorar o conforto e prevenir complicações.

O que pode ajudar? Tratamentos com evidência 

A síndrome genitourinária da menopausa (SGM) é tratada de forma escalonada, conforme a gravidade dos sintomas e as preferências da paciente. O tratamento inicial consiste em hidratantes e lubrificantes vaginais não hormonais, que podem aliviar sintomas leves de secura e desconforto vaginal.

Para sintomas moderados a graves, a terapia local com estrogênio vaginal em baixa dose (creme, comprimido ou anel) é considerada o tratamento padrão, sendo eficaz e segura para a grande maioria das mulheres, mesmo aquelas com antecedentes de cancro de mama, de acordo com as guidelines mais recentes.

 

 

Alternativamente, podem ser usadas a dehidroepiandrosterona intravaginal (DHEA/prasterona), com melhoria da secura e da atrofia vulvovaginal com impacto positivo no desejo sexual, ou um tratamento oral com ospemifeno,  eficaz para casos mais graves de atrofia vulvovaginal. 

Para mulheres que não desejam ou não podem usar hormonas, existem opções não hormonais como ácido hialurônico vaginal, fisioterapia do pavimento pélvico e terapia sexual podem ser consideradas.

Ginecologia regenerativa: abordagens complementares com evidência emergente

Nos últimos anos, têm surgido técnicas que visam melhorar a vascularização, a regeneração tecidular e o conforto vaginal. Entre as mais estudadas estão:

Laser vaginal CO₂

Alguns estudos sugerem melhorias na secura, elasticidade e redução da dispareunia. A evidência está a evoluir, mas mostra resultados promissores em mulheres pós-menopáusicas.

Radiofrequência vaginal

Pode melhorar a espessura e hidratação dos tecidos, com resultados promissores em mulheres pós-menopáusicas.

PRP vaginal (Plasma Rico em Plaquetas)

Potencial regenerador, com resultados favoráveis em lubrificação e conforto vaginal, especialmente em mulheres com sintomas persistentes.

Embora estas terapias não substituam os tratamentos hormonais quando são indicados, podem ser uma opção complementar para determinadas mulheres.

Como saber qual tratamento é o certo para mim?

Cada mulher vive a menopausa de forma única. Os sintomas variam em intensidade, duração e impacto no dia a dia. O mais importante é perceber que não é suposto sentir dor, nem desconforto, e que existem várias opções eficazes e seguras.

Uma avaliação especializada permite:

– identificar a causa da dor ou secura
– excluir condições que podem ser confundidas com esta situação clínica
– definir o tratamento mais adequado
– personalizar a abordagem conforme sintomas e estilo de vida

Conclusão

A dor e a secura vaginal na menopausa são comuns, mas não são inevitáveis,  e não devem ser normalizadas. Existem tratamentos eficazes, seguros e baseados em evidência que podem devolver conforto, vitalidade e qualidade de vida.

O primeiro passo é reconhecer que este é um problema médico, e não “algo com que tem de aprender a viver”.

 
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